
EDUCAÇÃO INFANTIL - G2 A G5
Rotina
Na Educação Infantil, a rotina está além da organização curricular, ou seja, das competências que são trabalhadas nas diferentes áreas do conhecimento deste segmento. Para as crianças pequenas, a rotina atua como organizadora das experiências do cotidiano. Ela define quais e como serão as propostas realizadas pelas crianças no período em que estiverem na escola; portanto, o dia-a-dia passa a ser algo previsível, o que tem importante efeito sobre a sua segurança e autonomia.
Os cantinhos são, dentro da rotina da Educação Infantil, uma das atividades permanentes, ou seja, uma das situações propostas com regularidade cujo objetivo é constituir atitudes ou desenvolver hábitos.
Como isto acontece? Diariamente, e sempre no início do período, as professoras organizam o espaço com atividades de Artes, jogos de construção, de percurso, objetos que possibilitam a vivência de jogos simbólicos e livros que estejam relacionados a algum tema estudado.
Este momento é planejado procurando garantir um espaço de interação entre as crianças que fazem parte do mesmo grupo. Assim que chegam, conversam com seus colegas, trocam idéias com as professoras e também aprendem muito. Da mesma forma que as professoras planejam os cantinhos com conteúdos do trabalho a ser desenvolvido, algumas situações que ocorrem nos cantinhos alimentam o fazer das educadoras durante os outros momentos de trabalho com as crianças. Um exemplo são as situações-problema, que as crianças enfrentam nos jogos de percurso e que em outros momentos são retomadas em rodas como atividades da área de Matemática.
A linguagem é um eixo condutor da Educação Infantil, pois é sobre ela que vai sendo construído o pensamento e a capacidade de aprender. Portanto, é preciso criar um ambiente no qual todas as crianças sejam estimuladas a falar, onde tenham oportunidade de comunicar suas idéias, pensamentos e intenções de diversas naturezas. Este aprendizado acontece dentro de um contexto. É importante ter bons modelos e um repertório amplo de vocabulário, participar de diferentes situações de comunicação como, contar fatos que aconteceram em casa, contar histórias, dar um recado, explicar um jogo ou pedir ajuda. Isto permitirá à criança desenvolver sua capacidade comunicativa. Para tanto, desde pequenas, as crianças participam de situações de comunicação nas rodas de conversa que ocorrem diariamente nos diferentes grupamentos de Educação Infantil. Com os menores, por exemplo, realizamos rodas para falar de uma novidade, descobrir o que está escondido em uma caixa surpresa ou mesmo tentar contar através de imagens e objetos como eles eram quando eram ainda mais bebês. Com os maiores, as professoras trazem assuntos diversos para serem discutidos como um problema ocorrido no parque, uma notícia de jornal ou uma roda para contar sobre o final de semana.
Da mesma forma que desde pequenas as crianças precisam de atividades planejadas para aprenderem a se comunicar, para se tornarem leitores e escritores não é diferente. Portanto, cabe à escola, desde muito cedo, proporcionar situações significativas de leitura e escrita, para que a partir do contato freqüente com a linguagem escrita e observação de bons modelos, a criança tenha oportunidade de pensar sobre o uso da mesma.
Observar os professores lendo livros, revistas, jornais, escrevendo um bilhete, anotando o horário de um remédio, fazendo os combinados para o dia, seguindo uma receita ou revisando um texto escrito são algumas das situações que trazem para dentro da escola o uso real da língua escrita.
As rodas de leitura, realizadas desde o grupamento 2, contribuem com a formação de leitores e também se constituem num momento privilegiado do dia, no qual as crianças se aconchegam ao lado das professoras para ouvir histórias conhecidas e outras que possibilitem a ampliação do repertório, as crianças se aconchegam ao lado das professoras que procuram garantir um repertório diversificado.
Uma outra atividade que acontece toda semana e, portanto, caracteriza-se como permanente, é a leitura dos textos de memória. Durante toda semana, as crianças brincam reproduzindo oralmente uma parlenda, música ou poesia. Depois que se apropriaram do texto, ou seja, o conhecem de memória, elas têm contato com a escrita do mesmo. Nos grupamentos 2 e 3, o texto que foi memorizado é afixado no mural da sala de aula. Nos grupamentos 4 e 5, as crianças arquivam o texto em uma pasta, para que possam levá-lo para casa e socializá-lo com a família. Em roda, elas são convidadas pelas professoras, através de brincadeiras, a lerem o texto que memorizaram. Ao participar desta atividade, a criança tenta ajustar sua fala ao que está escrito, e desta forma, mesmo sem saber ler convencionalmente, ela pode fazê-lo, uma vez que conhece o texto de memória.
Da mesma forma que podem “ler” mesmo antes de fazê-lo convencionalmente, também podem “escrever”. Desde pequenas, as crianças se interessam em pegar o lápis e deixar suas marcas no papel, gostam de imitar a escrita do adulto, assim como o fazem com a leitura. Para que possam desenvolver sua capacidade de escrever, precisam ter acesso às práticas de escrita. Desta forma, as crianças do grupamento 4 e 5 têm oportunidade de escrever em diferentes situações. E com isso, elaboram uma série de idéias e hipóteses provisórias antes mesmo de compreender o sistema de escrita.
O Brincar é a atividade principal da criança. É através da brincadeira que ela expressa o que pensa, o que sente e se apropria do mundo que está a sua volta. O brincar na Educação Infantil não é visto como um tempo de descanso depois de uma atividade mais formal e sim como uma parte das experiências que as crianças vivem dentro deste espaço. Elas brincam nos cantinhos, no parque e nas atividades propostas pelas professoras no pátio. Nestes momentos, elas representam papéis, exploram os espaços, fazem combinados com os colegas, se envolvem em conflitos, buscam formas de solução e, desta maneira, tecem novas relações e vão construindo conhecimentos a partir da experiência que vivem.
Um outro eixo de trabalho desenvolvido na Educação Infantil é denominado de Natureza e Sociedade, no qual as crianças têm oportunidade de trabalhar com temas que estão relacionados ao mundo social e natural.
Curiosas e investigativas, desde bem pequenas, elas fazem perguntas procurando respostas para as indagações relacionadas aos assuntos que estão no mundo do qual fazem parte. Partindo deste princípio, acreditamos que as crianças levantam muitas hipóteses acerca dos mais variados assuntos e por este motivo consideramos que os conhecimentos prévios das crianças são o ponto de partida para o trabalho a ser desenvolvido pelo professor. Dentre os estudos desenvolvidos, as crianças observam a transformação de alguns alimentos, conhecem brincadeiras e cantigas de rodas do tempo dos avós, fazem experimentos e observam diferentes misturas, conhecem algumas mudanças ocorridas na cidade de São Paulo ao comparar diferentes épocas, entre outros.
A arte é um conhecimento historicamente construído e, por este motivo, é fundamental que faça parte do currículo da Educação Infantil. O nosso trabalho pretende desenvolver crianças sensíveis e conhecedoras desta linguagem. Para tanto, criamos o Ateliê, que é um espaço onde elas produzem trabalhos de arte, utilizando as diferentes linguagens, apreciam suas próprias produções, as produções dos colegas e de outros artistas, desenvolvendo o gosto e o respeito pelo processo de criação.
A criança está inserida em um universo do qual a Matemática é parte integrante. Neste contexto social, ela entra em contato com uma série de situações que envolvem os números como, ouvir a mãe pedir uma quantidade de pãezinhos na padaria, identificar o número da figurinha que precisa colar no álbum, discar o número de telefone da casa da avó, contar o número de pontos de um jogo e outras tantas situações que estão presentes na rotina de uma criança. Essa vivência inicial favorece a elaboração de conhecimentos matemáticos.
Cabe à escola planejar situações para ajudar as crianças a organizarem melhor suas informações e as estratégias que encontram para solucionar as situações-problema que acontecem no cotidiano. Fazer Matemática significa dar oportunidade para a criança expor suas idéias, escutar os outros, formular e comunicar procedimentos de resolução, argumentar, buscar dados para resolver problemas entre outras coisas.
Nos grupamentos 2 e 3, as propostas têm a intenção de promover situações próximas do contexto social. As crianças participam de brincadeiras que envolvem a recitação de números, organização do espaço para o lanche, distribuição de tarjas com os nomes e brincam com vários jogos de encaixe. Nos grupos 4 e 5, elas têm oportunidade de começar a pensar sobre o sistema de numeração e suas regularidades; participam de situações de comparação entre quantidades e escrita numérica. Também aumentam as possibilidades de pensar sobre as noções espaciais.
O jogo é uma das estratégias didáticas utilizada pelas professoras e é proposto nos momentos de cantinho, espaço organizado no início de período, ou planejado para momentos de aula de Matemática dentro da rotina. Uma situação de jogo quando bem planejada contribui tanto para o desenvolvimento de conteúdos matemáticos quanto para os conteúdos atitudinais.
Coordenação Pedagógica - Educação Infantil
